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Das bocas dos leões pode jorrar a água,
das suas pestanas pode tombar o rímel,
dos seus dedos anéis sobre os cinzeiros,
da minha boca a língua
a comer-lhe o baton,
dos meus braços as mãos, circunscrevendo-a.


Estamos encerrados numa praça
cercada de armazéns, igrejas, austeros edifícios,
comércios de remotíssimos parentes
de trigo enchendo os navios para Cuba,
arruinando-se.

 
Sucede isto no Porto,
uma cidade onde os destinos pesam muito
e as quimeras de bronze só mitigam
a sede secular de eternas pombas.



Nunca, nesse lugar, as bocas se encontraram.



António Rebordão Navarro

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