1ª reflexão: Sensações
10 de Março de 2010
Como grupo, partimos para o ‘território’ sem pesquisa de fundo, sem qualquer tipo de conhecimento acerca de cada lugar. Tinhamos como intenção, uma relativa procura de sensações primárias que cada lugar nos suscitaria. Assim sendo, pela manhã do dia 20, ‘descemos’ o Porto por ruas estreitas, contando escadarias, desviando as cabeças das roupas brancas a secar, cumprimentando as pessoas que apareciam às soleiras das portas, desconfiadas ou não. Esta imagem idílica parece contrastar com a paisagem urbana da restante na cidade. A verdade é que essa disparidade não parece ser tão grande num olhar mais aprofundado.
Há, de facto, diferenças de modos de vida, mas no seu todo, o Porto, e também esta região a que nos debruçamos, é marcado por um certo silêncio imóvel. Esta é uma das sensações percepcionadas desde as nossas primeiras visitas. E é realmente notável, quando nos fazemos descer pelas ruelas, a primeira, a segunda e as terceiras vezes, que os únicos sons existentes são passos. E são nossos. Parecemo-nos intervir já num santificado espaço, onde reina a calmaria, e é esta a maneira de se fazer o dia. Seria-nos difícil imaginar o exemplo do Porto como cidade unânime, quando nestas primeiras visitas, compreendemos que existe uma percepção à qual nós nos adaptamos quando nos deslocamos aos diferentes lugares. Assim, é difícil caracterizar sucintamente a paisagem, mas paradoxalmente, numa imagem seria claramente reconhecível a cidade portuense.
A proporção das ruas, a raridade do espaço público, a qualidade da luz, a magreza das ruas e a relação apertada edifício-rua, são elementos característicos, mas que adquirem importância identitária.
Nesta realidade do centro histórico, percebe-se uma dualidade entre ruptura e continuidade, tradição e modernidade, e apercebemo-nos de que a sua realidade é a síntese da diversidade de transformações que sofreu com o tempo, no entanto, indiferente a um segmento de época.
As pessoas que lá habitam desenvolvem-se a seu tempo. Tal como a cidade. Não querendo exceder, e tendo esta reflexão um subtítulo de ‘sensações’, não nos passaria pela cabeça, tentar definir uma área de intervenção, sabendo nós, que existe ainda muito mais para descobrir.
Até agora, em termos de pesquisa, temos vindo a reunir informação variada de todos os lugares. Desde dados históricos concretos até ao nível mais social da pesquisa.
E aí continuaremos centrados, pois é de lá que advém o mais puro conhecimento.
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